O SÍMBOLO NICENO-CONSTANTINOPOLITANO
A Verdadeira Profissão da Fé Católica
A confissão dogmática infalível da Fé Católica, proclamada pelos Santos Padres contra a heresia de Ário (que negava a divindade consubstancial do Filho) e de Macedônio (que negava a divindade do Espírito Santo). Abaixo, o estudo teológico completo, rigoroso e sem cortes de cada artigo do Credo, fundamentado na Escritura, nos Padres da Igreja e no Magistério.
Em Vernáculo (Português)
Liturgia RomanaCreio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial (homoousios) ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus: e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas.
Creio na Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica.
Professo um só batismo para a remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.
Texto em Latim (Editio Typica)
Symbolum NicaenumCredo in unum Deum, Patrem omnipotentem, factorem caeli et terrae, visibilium omnium et invisibilium.
Et in unum Dominum Iesum Christum, Filium Dei Unigenitum, et ex Patre natum ante omnia saecula. Deum de Deo, lumen de lumine, Deum verum de Deo vero, genitum, non factum, consubstantialem Patri: per quem omnia facta sunt.
Qui propter nos homines et propter nostram salutem descendit de caelis. Et incarnatus est de Spiritu Sancto ex Maria Virgine, et homo factus est. Crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato; passus et sepultus est.
Et resurrexit tertia die, secundum Scripturas, et ascendit in caelum, sedet ad dexteram Patris. Et iterum venturus est cum gloria, iudicare vivos et mortuos, cuius regni non erit finis.
Et in Spiritum Sanctum, Dominum et vivificantem: qui ex Patre Filioque procedit. Qui cum Patre et Filio simul adoratur et conglorificatur: qui locutus est per prophetas.
Et unam, sanctam, catholicam et apostolicam Ecclesiam.
Confiteor unum baptisma in remissionem peccatorum. Et exspecto resurrectionem mortuorum, et vitam venturi saeculi. Amen.
Estudo Teológico Detalhado Artigo por Artigo
Doutrina, Versículos Bíblicos, Julgamento dos Padres da Igreja e Documentos ConcILIARES
1. Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso
A Profissão de Fé Católica inicia-se com a afirmação solene e dogmática do Monoteísmo absoluto à luz da Revelação divina. A Igreja rejeita o politeísmo das seitas pagãs e o panteísmo das ideologias modernas, afirmando a existência de um único Deus verdadeiro, vivo, eterno, imutável, incompreensível e inefável. Ele é um Ser estritamente Pessoal e subsistente por Si mesmo. Chamamo-Lo de Pai porque Ele é, desde toda a eternidade, o princípio da geração divina do Filho Unigênito e a origem do Espírito Santo; e também porque, na ordem do tempo, tornou-Se nosso Pai pela graça da adoção sobrenatural. Chamamo-Lo de Todo-poderoso (Omnipotens) porque Sua soberania e poder sobre a criação são absolutos e infinitos: nada existe fora de Sua vontade ou permissão, e nada escapa ao império de Sua Divina Providência.
- «Ouve, ó Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor.» (Deut 6,4)
- «Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor Deus; aquele que é, e que era, e que há de vir, o Todo-poderoso.» (Apoc 1,8)
- «Porque para Deus nada é impossível.» (Lc 1,37)
- São Tomás de Aquino: «Dizemos que Deus é Onipotente porque Seu poder estende-se a tudo o que é possível existir, isto é, a tudo o que não envolve contradição lógica. E chamamo-Lo de Pai porque a paternidade pertence estritamente à Sua essência divina, sendo a geração do Verbo o modelo eterno de toda criação e adoração na terra.» (Summa Theologiae, I, q. 25 e q. 33).
- Santo Agostinho: «Deus é infinitamente poderoso e, sendo sumamente bom, de modo algum permitiria a existência do mal em Suas obras se não fosse poderoso e bom o suficiente para do próprio mal extrair um bem maior por Sua Providência.» (Enchiridion, c. 11).
- São Jerônimo: «Professar que Deus é o Pai Todo-poderoso significa arrancar da alma todo o temor humano e toda a dúvida racionalista. Se Ele é Pai, nos ama; se é Todo-poderoso, pode nos socorrer e governar o universo segundo a Sua santa vontade.» (Commentarii in Symbolum).
- Concílio de Niceia I (325, Papa São Silvestre I): Definição dogmática originária do Símbolo da Fé, promulgado expressamente para combater a heresia ariana e estabelecer a unidade indissolúvel da substância divina na confissão do Pai.
- Concílio de Constantinopla I (381, Papa São Dâmaso I): Confirma e expande o Símbolo niceno, reafirmando contra os heréticos a adoração devida ao Deus único e a distinção perfeita das Pessoas divinas.
- Concílio de Latrão IV (1215, Papa Inocêncio III): Define solenemente na constituição Firmiter Credimus: «Firmemente cremos e simplesmente confessamos que há um só verdadeiro Deus, eterno, imenso e imutável, incompreensível, todo-poderoso e inefável, Pai, Filho e Espírito Santo: três Pessoas, mas uma única essência, substância ou natureza absolutamente simples.»
- Concílio Vaticano I (1870, Papa Pio IX): Na constituição dogmática Dei Filius, renova e confirma o dogma contra o materialismo e o panteísmo moderno, anatematizando quem negar a existência de um Deus único, pessoal e livre, Criador do céu e da terra.
2. Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis
A Igreja professa que o universo e tudo o que nele existe não são frutos do acaso, de uma evolução caótica da matéria ou de uma emanação panteísta da substância divina, mas foram criados por Deus a partir do nada (ex nihilo). A criação foi um ato absolutamente livre e soberano da bondade e da onipotência divina, realizado no princípio do tempo por Deus Uno e Trino. Sob a designação de "coisas invisíveis", a sã doutrina ensina a criação do mundo espiritual, composto pelos Anjos (substâncias puramente intelectuais); sob as "coisas visíveis", compreende-se o mundo físico e material, que atinge seu ápice na criatura humana, composta substancialmente de corpo e alma racional. Toda a criação é intrinsecamente boa por ter sua origem no Ser sumamente perfeito, o que destrói o dualismo herético (maniqueu e cátaro) que afirmava ser a matéria obra de um deus mau.
- «No princípio, Deus criou o céu e a terra.» (Gên 1,1)
- «Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.» (Col 1,16)
- «Olha para o céu e para a terra, e vê tudo o que neles há; e sabe que Deus os fez do nada, e assim também o gênero humano.» (2Mac 7,28)
- São Tomás de Aquino: «Criar significa produzir uma coisa de acordo com toda a sua substância, nada pressupondo, seja um sujeito ou uma matéria prima. Só Deus pode criar, pois o efeito universal da existência do nada exige uma causa infinitamente poderosa.» (Summa Theologiae, I, q. 45, a. 5).
- Santo Agostinho: «Vós criastes o mundo do nada, meu Deus, e não da Vossa própria substância, pois se o tivésseis feito de Vós mesmo, a criatura seria igual ao Vosso Filho Unigênito e, portanto, igual a Vós. Mas do nada criastes o céu e a terra, distinguindo a criatura do Criador.» (Confessiones, XII, 7).
- São João Damasceno: «Deus, em Sua infinita bondade, não Se contentou em contemplar a Si mesmo, mas quis que existissem seres que participassem de Seus bens e de Sua glória. Por isso, extraiu do nada o mundo invisível e o mundo visível.» (De Fide Orthodoxa, II, 2).
- Concílio de Latrão IV (1215, Papa Inocêncio III): Define formalmente na constituição Firmiter Credimus contra os cátaros e albigenses: «Deus... no princípio do tempo, criou do nada ambas as criaturas, a espiritual e a corporal, isto é, a angélica e a terrena; e depois a humana, composta de ambas, de espírito e de corpo.»
- Concílio Vaticano I (1870, Papa Pio IX): Na constituição dogmática Dei Filius, condena o panteísmo, o materialismo e o naturalismo com o cânone: «Se alguém não confessar que o mundo e tudo o que nele se contém... foram produzidos do nada por Deus em toda a sua substância... seja anátema.»
3. E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus
A Igreja professa que Jesus Cristo não é um ser intermediário, uma criatura excelsa ou um homem adotado por Deus, mas o Senhor absoluto do universo e o Filho Unigênito de Deus, gerado eternamente pela substância do Pai. O termo "Senhor" (Kyrios) aplica-se a Cristo em Sua divindade plena, igualando-O a Javé do Antigo Testamento. Chamamo-Lo Jesus (que significa Salvador) em razão de Sua missão redentora, e Cristo (que significa Ungido) porque n'Ele reside a plenitude do múnus sacerdotal, profético e régio. Ele é o Filho por natureza, e não por adoção, gerado misteriosamente no seio do Pai antes de todos os séculos, sem que isso implique qualquer início no tempo ou subordinação essencial.
- «E nós vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.» (Jo 1,14)
- «Pois n'Ele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.» (Col 2,9)
- «Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés.» (Sl 110,1)
- Santo Atanásio de Alexandria: «O Filho não começou a existir a partir de um ponto do tempo, porque Ele é o próprio esplendor da Luz Eterna e o Verbo vivo do Pai. Chamá-Lo de criatura, como pretendem os arianos, é blasfemar contra a própria essência de Deus, que nunca esteve privado de Sua Palavra e de Sua Sabedoria.» (Orationes contra Arianos, I).
- São Tomás de Aquino: «A geração do Filho no seio do Pai não se assemelha às gerações materiais, mas opera-se por via de intelecção pura. O Filho é o Verbo de Deus, o Conceito Eterno da Mente Divina, idêntico ao Pai em natureza, majestade e poder, distinguindo-Se d'Ele unicamente pela relação de origem.» (Summa Theologiae, I, q. 34).
- São Cirilo de Alexandria: «Confessar a Jesus como o único Senhor significa professar que o homem nascido da Virgem Maria e o Verbo gerado pelo Pai antes dos séculos são uma só e mesma Pessoa Divina, que resgatou o mundo da escravidão do demônio e da morte.» (Epistula ad Nestorium).
- Concílio de Niceia I (325, Papa São Silvestre I): Promulga solenemente a identidade divina do Filho contra Ário, definindo que a fé católica exige a adoração de Jesus Cristo como o Senhor e Deus Verdadeiro.
- Concílio de Éfeso (431, Papa São Celestino I): Defesa dogmática da unidade pessoal de Cristo contra Nestório, decretando que as propriedades da natureza humana e divina devem ser atribuídas à única e indivisível Pessoa do Filho Unigênito.
- Símbolo Atanasiano (Quicumque): «A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas... Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e Homem...»
4. Nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro
Este trecho do Símbolo da Fé foi formulado com precisão cirúrgica no Primeiro Concílio Ecumênico para sepultar de vez a blasfêmia ariana que asseverava que o Filho "teve um início" ou que era uma divindade excelsa e criada. A Igreja professa que o Filho é gerado, não criado, possuindo uma anterioridade eterna absoluta em relação a todo o tempo criado (ante omnia saecula). A expressão Deus de Deus e Deus verdadeiro de Deus verdadeiro afirma que o Filho recebe do Pai a totalidade da essência e da natureza divinas, sem que isso implique qualquer divisão, diminuição ou fragmentação da substância de Deus. A analogia Luz da Luz foi empregada pelos Santos Padres para demonstrar que, assim como o raio procede do sol sem dividir a substância solar e sem que o sol sofra qualquer diminuição ou alteração, assim o Filho procede do Pai por geração eterna, sendo coeterno e coigual d'Ele em glória e majestade.
- «E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.» (Jo 17,5)
- «O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua substância...» (Heb 1,3)
- «Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.» (1Jo 5,20)
- Santo Atanásio de Alexandria: «Dizemos 'Luz da Luz' porque a substância do Filho é inseparável da substância do Pai, assim como o resplendor é inseparável do fogo. Se houve um momento em que o resplendor não existia, então o próprio fogo não existia.» (De Decretis Nicaenae Synodi, c. 23).
- São Tomás de Aquino: «A expressão 'Deus de Deus' designa a relação de origem, mas não de inferioridade. O Filho procede do Pai por via de geração substancial, recebendo a mesma essência numérica do Pai.» (Summa Theologiae, I, q. 39, a. 5).
- Concílio de Niceia I (325, Papa São Silvestre I): Definição dogmática originária inserida no Credo especificamente para anatematizar Ário e os que afirmavam que o Filho era de substância criada.
- Concílio de Latrão IV (1215, Papa Inocêncio III): Na constituição Firmiter Credimus, professa: «O Pai gerando desde a eternidade o Filho, deu-Lhe a Sua própria substância... o Filho é Deus verdadeiro, consubstancial ao Pai em tudo.»
5. Gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas
A Igreja professa que o Filho é gerado, não criado, o que estabelece uma distinção metafísica radical entre a origem do Verbo e a origem das criaturas. Criar é produzir algo do nada (ex nihilo), resultando em um ser de essência totalmente diferente do Criador; gerar é produzir um ser da própria substância, com a mesmíssima natureza daquele que gera. Por isso, o Filho é consubstancial (homoousios) ao Pai, possuindo a mesma e única essência e substância divina, coeterno e igual em poder. A expressão por Ele todas as coisas foram feitas assevera que o Verbo é a causa exemplar e eficiente da criação, sendo o agente divino por meio do qual o Pai proferiu e ordenou todo o universo invisível e visível.
- «No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. [...] Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.» (Jo 1,1.3)
- «O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas...» (Col 1,15-16)
- Santo Atanásio de Alexandria: «O termo 'consubstancial' (homoousios) é o escudo impenetrável da fé católica. Ele demonstra que o Filho não é de uma substância semelhante, mas procede da própria essência do Pai.» (De Synodis, c. 41).
- São Tomás de Aquino: «Dizemos que as coisas foram feitas 'por Ele' para denotar a ordem da procissão divina: a sabedoria e o intelecto pelo qual o Pai opera é o Seu próprio Verbo.» (Summa Theologiae, I, q. 45, a. 6).
- Concílio de Niceia I (325, Papa São Silvestre I): Definição solene da fórmula dogmática do Homoousios.
- Concílio de Constantinopla I (381, Papa São Dâmaso I): Reafirma a consubstancialidade do Filho e do Pai.
6. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus: e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem
A Igreja professa que o motivo absoluto da Encarnação do Verbo foi a redenção e a salvação do gênero humano, decaído pelo pecado original de Adão. O Filho de Deus desceu dos céus, expressão que designa não um deslocamento físico local da Divindade imensa, mas a condescendência divina ao assumir a baixeza da nossa condição. Ele se encarnou pelo Espírito Santo, operando-se a concepção virginal de modo puramente milagroso e divino, sem sêmen humano, por obra da Terceira Pessoa da Trindade. No seio da Virgem Maria, o Verbo assumiu uma natureza humana completa — dotada de corpo físico real e alma humana racional —, unindo-a indissoluvelmente à Sua única Pessoa Divina (União Hipostática). Ele se fez homem de forma literal e perfeitíssima, tornando-se em tudo igual a nós, exceto no pecado.
- «E o Verbo se fez carne e habitou entre nós...» (Jo 1,14)
- «Esta é uma palavra fiel... que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores...» (1Tm 1,15)
- «Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra...» (Lc 1,35)
- São Tomás de Aquino: «O Verbo se fez homem para que o próprio Deus satisfizesse pela culpa do homem... A união operou-se na Pessoa do Verbo, de modo que Cristo é um só, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.» (Summa Theologiae, III, q. 1 e q. 2).
- São Cirilo de Alexandria: «Amaldiçoamos os que cindem o indivisível e dizem que Maria gerou apenas o homem Jesus... O próprio Verbo foi gerado segundo a carne no seio da Virgem Maria; por isso ela é com inteira justiça chamada Mãe de Deus (Theotokos).» (Epistula ad Nestorium).
- Concílio de Éfeso (431, Papa São Celestino I): Define dogmaticamente a Maternidade Divina de Maria contra Nestório.
- Concílio de Calcedônia (451, Papa São Leão Magno): Formulação dogmática definitiva sobre as duas naturezas em Cristo, unidas «sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação».
7. Crucificado também por nós sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado
A Igreja professa que o Sacrifício de Nosso Senhor na Cruz foi o ato definitivo de Redenção, oferecido voluntariamente a Deus Pai para aplacar a Sua justiça e apagar os pecados da humanidade. Cristo foi crucificado também por nós, assumindo vicariamente o castigo que cabia ao homem. A menção histórica sob Pôncio Pilatos serve para datar cronologicamente o fato na história humana, esmagando as fábulas gnósticas que tentavam mitologizar a Paixão. Em Sua natureza humana, Cristo padeceu dores físicas e morais reais e indizíveis, rejeitando-se o erro docetista de que Seus sofrimentos teriam sido apenas aparentes. Ele foi sepultado de forma literal, o que atesta a realidade de Sua morte: Sua alma humana separou-se verdadeiramente de Seu corpo físico, embora a Divindade do Verbo tenha permanecido unida tanto à alma na mansão dos mortos quanto ao corpo depositado no sepulcro, preservando-o da corrupção.
- «Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades... ele foi ferido pelas nossas transgressões.» (Is 53,4-5)
- «E, levando ele sutilmente a sua cruz, saiu para o lugar chamado da Caveira...» (Jo 19,17-18)
- São Tomás de Aquino: «A Paixão de Cristo operou a nossa salvação por via de satisfação superabundante... Durante os três dias em que permaneceu sepultado, a União Hipostática não foi desfeita.» (Summa Theologiae, III, q. 48 e q. 50).
- São João Damasceno: «Embora Cristo tenha morrido como homem, a Divindade permaneceu inseparável de ambos. O Verbo não se dividiu em duas pessoas no sepulcro.» (De Fide Orthodoxa, III, 27).
- Concílio de Constantinopla II (553, Papa Vigílio): Condena desvios que tentavam cindir as naturezas de Cristo na Paixão.
- Concílio de Trento (Sessão V, 1546): Reafirma a Redenção vicária e a satisfação na Cruz pelo sangue do único Mediador.
8. E ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E subiu aos céus: está assentado à direita do Pai
A Igreja professa que a Ressurreição de Jesus Cristo é o milagre supremo e o fundamento inabalável da fé cristã, provando de forma absoluta a Sua divindade. Cristo ressuscitou ao terceiro dia, operando o retorno à vida por Sua própria virtude e poder divino, unindo novamente Sua alma santíssima ao Seu corpo físico real e glorioso. A menção segundo as Escrituras atesta o cumprimento perfeito de todas as profecias do Antigo Testamento. Ele subiu aos céus em corpo e alma, elevando a nossa natureza humana acima de toda a criação espiritual e material. Ao professar que Ele está assentado à direita do Pai, a sã teologia não designa uma posição física ou espacial em Deus, mas que Cristo, enquanto homem, recebeu a primazia, a honra eterna, o poder e a glória judiciária iguais aos do Pai.
- «Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.» (Sl 16,10)
- «Tenho poder para a dar, e tenho poder para a retomar...» (Jo 10,17-18)
- São Tomás de Aquino: «Cristo ressuscitou por Seu próprio poder divino... A Sua Ascensão é a causa da nossa salvação, pois Cristo subiu ao santuário celeste como nosso Pontífice e Cabeça.» (Summa Theologiae, III, q. 53 e q. 57).
- Santo Agostinho: «Dizer que Ele está assentado à direita do Pai significa professar que Ele habita na bem-aventurança eterna, na honra e no poder supremo da realeza e da justiça divinas.» (De Fide et Symbolo, c. 6).
- XI Concílio de Toledo (675): Confessa a ressurreição por poder próprio e a Ascensão em igualdade de glória com o Pai.
- Concílio de Latrão IV (1215): Define dogmaticamente a realidade física da ressurreição e ascensão.
9. E de novo há de vir em sua glória, para julgar os vivos e os mortos: e o seu reino não terá fim
A Igreja professa que a história humana findará com a Segunda Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo em majestade (a Parusia). Contra o erro do quiliasmo e do modernismo escatológico, Cristo de novo há de vir em sua glória não para estabelecer um reino político-temporal na terra por mil anos, mas para manifestar publicamente Sua soberania absoluta no Juízo Final. Ele virá para julgar os vivos e os mortos: todos os seres humanos, desde Adão até o último homem, ressuscitarão com seus próprios corpos para comparecer diante do tribunal divino, onde os pensamentos, palavras, obras e omissões serão desnudados. Os justos receberão a glória eterna no Céu, e os réprobos, a condenação eterna no Inferno. A confissão de que o seu reino não terá fim foi inserida no Símbolo contra os heréticos sabelianos e marcionitas, reafirmando que o governo de Cristo sobre as almas e o universo não cessará após o Juízo, mas perpetuar-se-á na eternidade.
- «Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai... e então dará a cada um segundo as suas obras.» (Mt 16,27)
- «E o seu reino não terá fim.» (Lc 1,32-33)
- São Tomás de Aquino: «O Juízo Final será universal e público para que a justiça e a providência divinas brilhem com clareza diante de toda a criação. Cristo julgará em Sua natureza humana visível.» (Summa Theologiae, III, q. 59).
- Santo Agostinho: «A heresia do milenarismo literal deve ser inteiramente rejeitada por ser uma fábula judaica e carnal... Os 'mil anos' simbolizam o tempo presente da Igreja militante.» (De Civitate Dei, XX, 7).
- Concílio de Constantinopla I (381): Insere a cláusula «e o seu reino não terá fim» contra Marcelo de Ancyra.
- Decreto do Santo Ofício (1944, Pio XII): Condena o milenarismo mitigado.
10. E no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho
A Igreja professa a divindade plena e consubstancial da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade: o Espírito Santo. Ele é chamado Senhor (Kyrios) porque possui a mesma e única essência, majestade e natureza divinas do Pai e do Filho. É Ele que dá a vida, sendo o sopro divino vivificante tanto na ordem da criação natural quanto na ordem da graça sobrenatural, pela qual santifica as almas, perdoa os pecados e vivifica o Corpo Místico de Cristo. A Igreja professa dogmaticamente o mistério do Filioque: o Espírito Santo não foi criado nem gerado, mas procede do Pai e do Filho eternamente, não como de dois princípios ou de duas espirações separadas, mas de ambos como de um único e indivisível princípio de amor substancial.
- «O Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.» (2Cor 3,17)
- «Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar... o qual procede do Pai...» (Jo 15,26)
- São Tomás de Aquino: «Se o Espírito Santo não procedesse também do Filho, não haveria como distingui-Lo pessoalmente do Filho na ordem trinitária... O Espírito Santo procede do Pai e do Filho como de um só e mesmo princípio.» (Summa Theologiae, I, q. 36).
- Santo Agostinho: «O Espírito Santo procede principalmente do Pai, porque o Pai O gera sem princípio; mas procede também do Filho... Ele é o Amor Consubstancial comum.» (De Trinitate, XV, 26).
- Concílio de Constantinopla I (381): Defende a divindade do Espírito Santo contra os pneumatômacos.
- Concílio de Lyon II (1274): Define de forma infalível o dogma do Filioque.
- Concílio de Florença (1439): Decreto dogmático Laetentur Caeli reafirmando a procedência eterna de ambos.
11. E com o Pai e o Filho recebe a mesma adoração e a mesma glória: e falou pelos profetas
A Igreja professa que o Espírito Santo, sendo a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, possui idêntica dignidade e substância divinas, devendo receber o culto supremo de adoração (latria) e ser glorificado de forma perfeitamente igual ao Pai e ao Filho. A heresia dos pneumatômacos, que pretendia subordinar o Espírito Santo como uma criatura ministerial, foi definitivamente anatematizada. A confissão de que falou pelos profetas atesta a inspiração divina das Sagradas Escrituras: não foram os autores humanos que forjaram a verdade bíblica por sabedoria natural, mas o próprio Espírito Santo quem iluminou, moveu e guiou as mentes dos profetas no Antigo Testamento e dos Apóstolos no Novo Testamento para redigirem o Cânon sagrado de forma infalível.
- «Pois a profecia nunca foi produzida por vontade humana, mas os homens santos de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo.» (2Pe 1,21)
- «Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus...» (Ap 4,8)
- São Tomás de Aquino: «Como a excelência e a essência do Pai, do Filho e do Espírito Santo são numericamente uma só, a adoração que se presta a uma das Pessoas Trinitárias estende-se às outras duas.» (Summa Theologiae, I, q. 38).
- Leão XIII: Na encíclica Providentissimus Deus, reafirma que o Espírito Santo ditou o texto sagrado aos hagiógrafos, garantindo a inerrância.
- Concílio de Constantinopla I (381): Insere formalmente a coglorificação no Credo.
- Papa São Dâmaso I (Sínodo Romano de 382): Decretos trinitários reafirmando a igualdade de culto ao Paráclito.
12. E na Igreja, una, santa, católica e apostólica
A Igreja professa que a instituição fundada por Jesus Cristo é dotada de quatro notas ou características essenciais, divinas e visíveis que a distinguem de todas as falsas seitas humanas. A Igreja je una porque possui uma única cabeça invisível (Cristo), uma única cabeça visível (o Papa), uma só e mesma fé imutável, o mesmo governo e os mesmos sacramentos; é santa em sua Cabeça, em sua alma vivificante e em sua doutrina pura; é católica porque é universal, estendendo-se por toda a terra; é apostólica porque foi fundada sobre o Colégio Apostólico, guarda o depósito e transmite a autoridade por meio da Sucessão Apostólica ininterrupta.
- «Há um só corpo e um só Espírito... um só Senhor, uma só fé, um só batismo.» (Ef 4,4-5)
- «Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina.» (Ef 2,20)
- São Cipriano de Cartago: «Deus é um, Cristo é um, uma é a Igreja e uma a cátedra fundada sobre Pedro. Quem se separa da unidade da Igreja não possui a fé nem a vida eterna.» (De Unitate Ecclesiae).
- São Pedro Canísio: «As quatro notas divinas são as insígnias reais que apontam para a verdadeira Esposa de Cristo, a Igreja Católica Romana.» (Summa Doctrinae Christianae).
- Concílio de Constantinopla I (381): Insere solenemente as quatro notas no Símbolo.
- Papa Bonifácio VIII (Bula Unam Sanctam, 1302): Define dogmaticamente a necessidade da comunhão com a Igreja para a salvação.
13. Confesso um só batismo para a remissão dos pecados
A Igreja professa a necessidade absoluta do Sacramento do Batismo como a porta de entrada para a vida sobrenatural e o único remédio divino instituído por Cristo para apagar o pecado original herdado de Adão e todos os pecados cometidos antes de sua recepção. Chamamo-lo um só batismo porque o caráter sacramental impresso na alma pelo Batismo legítimo é indelével, tornando-se impossível e sacrílego reiterar o sacramento em quem já foi validamente batizado.
- «Aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.» (Jo 3,5)
- «Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos vossos pecados...» (At 2,38)
- Santo Agostinho: «Contra o erro dos donatistas, afirmamos que o Batismo administrado mesmo por um herético ou por um pecador é válido se for feito com a água e com as palavras do Evangelho. A santidade do sacramento provém de Cristo.» (In Johannis Evangelium Tractatus, 5, 18).
- Concílio de Trento (Sessão VII, 1547): Define dogmaticamente a indispensabilidade do Batismo para a salvação e a proibição de rebatizar os que receberam o sacramento válido.
14. E espero a ressurreição dos mortos: e a vida do mundo que há de vir. Amém
A Igreja professa que a morte física não é o término absoluto do homem, mas uma separação provisória entre a alma e o corpo, a qual será desfeita no fim dos tempos. Contra o erro herético do espiritismo e da reencarnação, a sã doutrina ensina a ressurreição dos mortos: no último dia, pelo poder divino, os corpos de todos os homens ressuscitarão reais e numericamente idênticos aos que possuíram na terra, unindo-se novamente às suas respectivas almas. Os corpos dos réprobos ressuscitarão para sofrer o suplício eterno no Inferno, enquanto os corpos dos eleitos ressuscitarão gloriosos, imortais, impassíveis e luminosos, configurados ao Corpo de Cristo Ressuscitado. A confissão de fé conclui-se com a expectativa da vida do mundo que há de vir, que consiste na bem-aventurança eterna da Visão Beatífica, onde as almas purificadas adorarão a Deus face a face no Céu para sempre. O termo Amém sela a Profissão de Fé com o assentimento firme, irrevocabólico e definitivo do católico.
- «E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus.» (Jó 19,26)
- «Os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição do juízo.» (Jo 5,29)
- São Tomás de Aquino: «A alma humana é, por natureza, a forma do corpo; por isso, a bem-aventurança da alma exige de modo conveniente a ressurreição do próprio corpo com o qual ela operou o bem ou o mal na terra.» (Summa Contra Gentiles, IV, c. 84).
- Santo Agostinho: «A vida do mundo futuro é a visão de Deus, que preencherá todos os desejos da nossa inteligência e da nossa vontade, onde descansaremos e veremos, veremos e amaremos.» (De Civitate Dei, XXII, 30).
- Concílio de Latrão IV (1215): Define dogmaticamente que todos ressuscitarão com os seus próprios corpos para receber o prêmio ou o castigo eterno.
- Concílio de Florença (1439): Define infalivelmente a Visão Beatífica imediata das almas justas após a purificação.