Nos séculos XVII e XVIII, Voltaire, Diderot e Montesquieu ampliaram a narrativa. Profundamente hostis à Revelação, apresentaram a Igreja como símbolo de fanatismo e atraso. Voltaire transformou a Inquisição em símbolo literário de tirania. Essa ideia se organizou em seitas secretas com objetivo declarado.
Quem documentou a conjuração anticristã e o objetivo da maçonaria:
Monsenhor Henri Delassus (1836-1921) em La Conjuration Antichrétienne — Le Temple Maçonnique voulant s'élever sur les ruines de l'Église Catholique (Lille, 1910), obra recebida com paternal interesse por São Pio X (membro da rede La Sapinière de Mons. Benigni):
«A maçonaria nos ensina que há apenas uma religião verdadeira e, consequentemente, a única natural: o culto à humanidade [...] Deus não é nada além do todo de nossos instintos mais elevados.» — Tomo III, p. 158
É o que o Papa Leão XIII denunciou na encíclica Humanum Genus (1884): «O desígnio supremo da franco-maçonaria é derrubar de alto a baixo toda a disciplina religiosa e social que nasceu das instituições cristãs.»
«A maçonaria trabalhou de maneira oculta, mas constante, para preparar a revolução.» — Tomo II
«A Revolução não foi possível senão graças à maçonaria.» — Tomo I
«A ideia de substituir a Civilização Cristã por outra civilização baseada no Naturalismo nasceu em meados do século XIV. [...] Uma verdadeira conspiração contra o Cristianismo supõe não apenas o voto de destruí-lo, mas também um grupo de pessoas e um acordo sobre os meios.» — Tomo I, pp. 104-105
Cartas secretas da Alta Vendita, "Piccolo-Tigre" (1820), apreendidas e publicadas por Crétineau-Joly a pedido do Papa Gregório XVI: «Servamo-nos de todos os incidentes [...] Um bom ódio bem frio, bem calculado, bem profundo, vale mais que todos esses fogos de artifício e todas essas declamações de tribuna.» Documentado também por Pe. Augustin Barruel em Mémoires pour servir à l'histoire du Jacobinisme (1797) e John Robison em Proofs of a Conspiracy (1798), com papéis dos Illuminati da Baviera de Adam Weishaupt (1776).
O Plano Teológico desse templo: a Fraternidade Universal de todas as religiões
Se Delassus provou como, o Rabino Élie Benamozegh revelou o que esse templo quer ser em «Israël et l'Humanité» (Paris, 1914):
1. Trechos que elevam Israel como núcleo da religião mundial:
- «La constitution d'une religion universelle est le but final du judaïsme»
- «Israël est le noyau de l'Humanité pour les nations, parce qu'il représente l'Humanité qui n'existe pas encore mais qui est appelée à exister grâce à lui.»
- «Le culte spécial d'Israël est la sauvegarde, le moyen de réalisation de la vraie religion universelle ou noachisme»
2. Coloca os outros povos a serviço de Israel — o Noachismo:
- «Israël est selon lui investi d'une mission sacerdotale au sein de ceux-ci qui sont ses frères.»
- «La Religion universelle ne consiste pas dans une conversion pure et simple des gentils au mosaïsme, mais dans la reconnaissance que l'humanité doit faire de la vérité de la doctrine d'Israël.»
- «La finalité du projet consiste à faire du peuple juif le peuple prêtre, l’intermédiaire unique entre le dieu monothéiste (et non trinitaire) et le reste de l’humanité non juive encadrée par les lois noachides.»
Ou seja: não conversão ao judaísmo, mas enquadramento nas 7 leis de Noé, tendo Israel como intermediário.
3. A maçonaria como modelo e ponte:
- «la théologie franc-maçonnique n’est au fond que de la théosophie et correspond assez bien à celle de la Kabbale» — p.70-71
- «l’Aggadah était la forme populaire d’une discipline secrète dont les méthodes d’initiation portent les ressemblances les plus frappantes avec la Franc-Maçonnerie»
Contra a Igreja Católica: Capítulo "Morale Juive et Morale Chrétienne. Examen Comparatif":
«Afin de correspondre au schéma du noachisme, la religion catholique doit procéder à une refonte complète rejetant la Sainte Trinité et la divinité du Christ. [...] Cette mutation doit aboutir au ‘catholicisme d’Israël’»
«Selon le plan Benamozegh, le catholicisme ne doit pas être détruit mais ‘métamorphosé’»
É por isso que a Fraternidade Universal não é caridade cristã. No plano documentado, é a substituição da centralidade da Igreja pela centralidade de Israel, usando a maçonaria como ponte.