Dizer que a Igreja escravizou negros é a maior inversão histórica. A escravidão já existia 4 mil anos antes de Cristo, praticada por todos os povos: egípcios, gregos, romanos, africanos e muçulmanos. A Igreja foi a PRIMEIRA e ÚNICA instituição que condenou dogmaticamente o tráfico e a escravidão, enquanto o tráfico atlântico foi dominado por potências protestantes, muçulmanas e reinos africanos que vendiam seus próprios irmãos.
O maior tráfico da história não foi o atlântico (12 milhões em 400 anos), mas o árabe-muçulmano: de 17 a 20 milhões de seres humanos escravizados ao longo de 1300 anos (de 650 a 1900), segundo o historiador senegalês Tidiane N'Diaye (Le génocide voilé, Gallimard, 2008) e o viajante Ibn Battuta. Os homens capturados eram castrados em massa e abandonados à morte no deserto do Saara num extermínio sem miscigenação — razão pela qual hoje quase não há negros nos países árabes. Ademais, reinos africanos como Daomé, Ashanti, Congo e Oyo enriqueceram ativamente capturando e vendendo seus próprios irmãos negros aos traficantes europeus.
O Magistério da Igreja Católica condenou a escravidão 400 anos antes dos abolicionistas laicos:
• 1435: Papa Eugênio IV (Bula Sicut Dudum) lança a primeira excomunhão solene contra a escravização nas Canárias;
• 1537: Paulo III (Bula Sublimis Deus) comina excomunhão 'latae sententiae';
• 1591: Gregório XIV (Bula Cum Sicuti);
• 1639: Urbano VIII (Bula Commissum Nobis, voltada ao Brasil);
• 1686: Santo Ofício sob o Papa Inocêncio XI condena o cativeiro injusto;
• 1741: Bento XIV (Bula Immensa Pastorum);
• 1839: Gregório XVI (Carta Apostólica In Supremo Apostolatus) com condenação irrevogável;
• 1888: Leão XIII (Encíclica In Plurimis e Carta aos Bispos do Brasil celebrando a promulgação da Lei Áurea).
Quem realmente lucrou e promoveu o tráfico atlântico? Conforme os dados oficiais do Trans-Atlantic Slave Trade Database (Emory University):
• Inglaterra protestante: 3,1 milhões de escravizados, consolidando-se como a maior traficante do mundo britânico;
• França: 1,3 milhão; Holanda calvinista: 600 mil; EUA protestante: 300 mil;
• Portugal e Brasil católicos: 5,8 milhões, porém regidos pelo batismo obrigatório, incentivo à família católica, alforria frequente e miscigenação aberta.
Navios negreiros ingleses e holandeses navegavam ironicamente com nomes piedosos como 'Jesus', 'Liberdade' e 'Justiça', pertencentes a mercadores puritanos e financiados pelos bancos de Londres, Amsterdã e Boston, com seguros marítimos do Lloyd's de Londres.
As Ordens Religiosas Católicas sacrificaram recursos e vidas para LIBERTAR os cativos: a Ordem dos Mercedários (fundada em 1218) e a Ordem dos Trinitários (fundada em 1198) resgataram mais de 500 mil escravos das mãos muçulmanas. Em Cartagena, o jesuíta São Pedro Claver S.J. (1580–1654) acolheu e batizou 300 mil escravos, fez o voto solene de ser 'escravo dos negros para sempre' e dormia nas docas para recebê-los com bálsamo e caridade. São Vicente de Paulo, que fora outrora escravizado, dedicou sua vida ao resgate e libertação de milhares de homens.
A colonização católica gerou profunda mestiçagem, defesa da família e alforria: o Brasil conta com mais de 56% de população negra ou parda (120 milhões de pessoas — a maior comunidade afrodescendente fora de África). A Igreja exigia o batismo sacramental e a inviolabilidade do matrimônio dos escravos — segundo as Ordenações Filipinas (Livro IV), orientadas pelo Direito Canônico, os senhores não podiam apartar maridos, esposas e filhos. A concessão de cartas de alforria era incentivada como santa obra de misericórdia, e as célebres Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos compravam continuamente a liberdade dos seus membros.
Em contraste trágico, a colonização protestante na América do Norte gerou segregação racial inflexível, proibição absoluta de casamentos inter-raciais e a desumana 'one-drop rule': nos Estados Unidos de 1860, havia 4 milhões de escravizados e 0% de miscigenação legal, com leis estaduais proibindo casamentos inter-raciais até 1967 (decisão histórica Loving v. Virginia na Suprema Corte). Os filhos de brancos com escravas continuavam escravos perpétuos pelo princípio legal puritano de 'partus sequitur ventrem'. Do mesmo modo, na África do Sul calvinista, o regime opressor do Apartheid (1948–1994) foi edificado sobre a teologia da separação predestinada de raças.